Kasinski Comet

Não tínhamos informações prévias sobre a Comet, até para não criarmos pré-avaliações, e, logo que a vimos, nos surpreendeu, pelo seu porte, motor e estilo.

Desconsiderando a sua cilindrada, 250cc, a Comet parece uma moto de médio porte, e não é para menos. Com um olhar um pouco mais aprofundado se vê que seu quadro é igual ao de uma moto mediana já conhecida, a Suzuki GS500 E, e está semelhança não é mera coincidência.

A Kasinski Comet tem toda a sua tecnologia derivada da fabricante coreana Hyosung, que foi fundada em 1978 e, por sua vez, já no ano seguinte firmou um acordo de cooperação tecnológica com a Suzuki do Japão, daí decorre a impressão de já se conhecer a Comet.

O quadro dela é realmente a cópia do de uma Suzuki GS500 E, ou seja, ela tem corpo de moto mediana, com um “coração”, quer dizer, motor, de moto pequena.

E a surpresa quanto ao propulsor se deve ao seu número de cilindros. Normalmente, uma moto de cilindrada menor tem um motor com apenas um cilindro, mas a Comet é equipada com um “V-Twin” de dois cilindros dispostos em “V”.

Kasinski Comet

No que se refere ao estilo, é uma moto direcionada para o uso urbano. De motor aparente, considerando ter um médio porte, poderíamos dizer que ela é uma “naked”, mas de frente e, de lado, até sua metade dianteira somente, porque com bancos individualizados para piloto e garupa, em desnível, e rabeta afilada, ela até lembra uma esportiva.

Percebe-se que diferentes elementos que agradam aos consumidores procuraram ser agregados em uma única moto. A Comet é uma moto para uso urbano de custo acessível, mas não é uma máquina para ser usada em tele-entregas, via de regra.

Para ser acessível, ela vem equipada com um motor de 250cc, mas não é um motor qualquer, é um DOHC de 8 válvulas que gera 32,5 CV, quase 9 CV mais que sua concorrente direta, o que não é nada pouco, acima de 35% mais potente.

Na cidade, todo este ganho não se percebe muito, porque a moto não é tão pequena, leve e manobrável quanto outras concorrentes e seu motor só começa a dar boas respostas a partir dos 7.500 rpm. É necessário cuidar para manter o “motor cheio”, perto ou pouco acima dessa rotação, que é o momento de torque máximo, para poder se ter boas retomadas. Desta forma, o motor se apresentará “macio”, responsivo, elevando-se progressivamente sem muita vibração.

Ela não aparenta ser pequena. Seu quadro de 500cc, tanque de 17 litros bem largo e rabeta esportiva lhe conferem porte e estilo de moto média para grande. O que é complementado por um conjunto de pneus maiores tanto na dianteira (110/70-17) quanto na traseira (150/70), que proporcionam adequado dimensionamento de aderência, estabilidade e capacidade de entrada de curva.

Tudo isto se reflete na ciclística da moto, que sendo mais comprida, mais larga, mais alta e mais pesada do que outras de mesma cilindrada, acaba por exigir uma tocada mais apropriada, principalmente em curvas, quando se pode pendular muito bem, tal qual numa moto maior, mesmo não recebendo tanto impulso do motor quanto se desejaria, mas bem mais do que seria esperado.

E se recebe bem mais do que o esperado mesmo. A Comet chega com facilidade e muita rapidez aos 100Km/h. Na estrada, sua velocidade de cruzeiro fica em torno de 120 até 140 Km/h, o que já estaria quase no limite de outras 250cc. Sua velocidade final máxima? Alcançamos, no plano e com pouco vento de frente, 175 Km/h! É a 250cc mais veloz do Brasil!

A suspensão dianteira telescópica invertida e a traseira com balança garantem boa estabilidade. Forçamos a moto com curvas agressivas, mergulhos dianteiros e derrapagens de traseira forçadas e ela sempre se comportou muito bem. Na verdade, sobra moto para o motor.

Kasinski Comet

Cabe lembrar que estamos falando de uma moto direcionada para uso urbano, que não é carenada e cuja postura de pilotar é mais ereta e o guidão mais alto e elevado, criando mais arrasto e diminuindo a velocidade máxima alcançável.

Existe uma versão esportiva da Comet, a GTR, cuja carenagem é muito bonita, proporcionando melhor aerodinâmica, apoiada numa postura de pilotar mais esportiva. Infelizmente, segundo o Diretor da Auto Sul, Giovani Nicola, esta moto não pára na loja e, portanto, não tivemos como testar uma, mas, considerando as devidas proporções, é possível imaginar que esta moto possa alcançar uns 190 Km/h. Uma moto de 250cc, original de fábrica, alcançando 190 Km/h? Seria demais!

Mas, tudo tem um preço. Com maior porte, peso e potência, a Comet não é tão econômica. Utilizamos a moto por 15 dias e rodamos aproximadamente 1.500 quilômetros com ela. Rodamos na cidade, enfrentando tráfego urbano e na estrada, de dia e de noite, variando velocidades médias de viagem de 80Km/h a 100 Km/h. A melhor média de consumo na estrada foi de 25,1 Km/l. A pior foi em uso urbano, caindo para 18,4 Km/l.

Em viagens longas, a adoção de um banco e uma rabeta mais esportivos deram um visual mais agressivo e bonito, mas comprometeram um pouco o conforto. Os bancos não são muito acolchoados e, com o passar do tempo, sente-se que eles são duros. O banco para a garupa é muito alto, um poleiro, e também muito duro. A garupa fica numa posição tal qual ficaria numa superesportiva de 1000cc. Para consolo, há um porta objetos sob o banco da garupa que é acessado somente pela chave de ignição e muito prático para carregar alguns pertences com segurança.

O que se deduz de tudo isso é que a Comet foi projetada para ser a moto para um público jovem que procura esportividade, mas não dispõe de muitos recursos e, nem por isso, deseja se sentir “diminuído” por usar uma moto pequena. A Comet é ágil e rápida e acompanha bem motos maiores em viagens, não ficando para trás com tanta facilidade.

Para segurar esta máquina não há dificuldade. Os freios são bem dimensionados, sendo a disco ventilado de 300mm com acionamento hidráulico na dianteira e freio a disco de 230mm na traseira. Curioso é que existe uma “espera” para instalação de um segundo disco na dianteira. Provavelmente, um legado do passado com 500cc.

O painel é completo e funcional, mas poderia ser mais moderno. Na versão GTR, o contagiro é analógico, mas acompanhado de um display que exibe as demais funções. Os comandos são bem acessíveis e o guidão bem ergonômico, considerando sua proposta original de uso.

O modelo Comet 250 tem preço público sugerido (sem frete) de R$ 14.266,00 e está disponível nas cores preto, vermelho, amarelo e azul. Considerando o que se consegue nesta moto, sua relação de custo e benefício é extremamente atraente.

Por que a Comet não tem inúmeras unidades rodando por aí e é um tremendo sucesso de vendas? Aparentemente, não há oferta suficiente para a procura e um pouco mais de marketing para esta excelente moto ajudaria muito, pois ela é singular, uma grande 250cc.

Ficha Técnica

Comprimento Total: 2080mm
Largura Total: 760mm
Altura Total: 1120mm
Distância livre do solo: 180mm
Motor: Tipo DOHC, 4 tempos, arrefecido a ar
Potência Máxima: 32,5cv a 10000rpm / 23,9KW a 10000 rpm
Torque Máximo: 2,16kgf.m a 7500 rpm / 21,2Nm a 7500rpm
Cilindrada: 249cm³
Carburador: Mikuni BDS26 (duplo)
Partida: Elétrica
Embreagem: Multi-discos banhados em óleo
Transmissão final: Por corrente
Suspensão Dianteira: Telescópica invertida (U.D.F)
Suspensão Traseira: Balança, mono-choque, ajustável
Freio Dianteiro:  Disco ventilado (300 mm), acionamento hidráulico
Freio Traseiro: Disco ventilado (230 mm), acionamento hidráulico
Pneu Dianteiro: 110/70-17 M/C 54 H
Pneu Traseiro: 150/70-17 M/C 69 H
Rodas: liga leve, Aro 17
Tanque de Combustível, incluindo reserva: 17 litros
Peso em ordem de marcha: 170kg
Cores: preto, vermelho, amarelo e azul
Preço Sugerido: R$ 14.266,00

[Por:Moto.com.br]