
A vencedora do Campeonato Mundial de Motovelocidade do ano passado, a equipe Fiat Yamaha, apresentou hoje, no segundo dia de testes pré temporada (primeiro em que os pilotos de provas entraram na pista) seu line-up – Valentino Rossi e Jorge Lorenzo – e suas novas motocicletas.
As capas das YZR-M1 foram removidas logo após as 10hs da manhã do primeiro dia de testes oficiais do ano. Como esperado, a Fiat permaneceu como principal patrocinador pelo quarto ano consecutivo e as novas Yamahas são quase idênticas as do ano passado. Na verdade, a única grande mudança na aparência foi a inclusão das palavras “Semakin Di Depan” – Slogan da Yamaha Indonésia que significa “Um passo a frente” – na traseira das duas motocicletas.
Os dois dias de testes para os pilotos oficiais da MotoGP começam hoje, quatro de fevereiro, o primeiro de três teste pré temporada antes da primeira prova no Catar, dia 11 de abril. A Fiat Yamaha vai levar da uma coletiva de imprensa no Circuito Internacional de Sepang, ás 18hs30 locais. Lin Jarvis, Davide Brivio e Wilco Zeelenberg, o novo chefe de equipe de Lorenzo, contarão ainda com a companhia de Shigeto Kitagawa e Masahiko Nakajima (pilotos de testes) na conferência de imprensa antes dos pilotos oficiais terem a oportunidade de falar. Rossi e Lorenzo às 19hs00 e depois os homens da Yamaha Tech3 Colin Edwards e Ben Spies às 19hs30.
Falando da temporada que se aproxima, Lin Jarvis, Director da Yamaha Motor Racing, disse: “O ano de 2009 foi o mais bem sucedido para a Yamaha em muitos anos. Será difícil repetir esse tipo de prestação, mas queremos tentar! Temos a sorte de ter um alinhamento de pilotos fantástico com Rossi e Lorenzo, e estamos ansiosos para começar a trabalhar na pista”.
Ele continuou: “É claro que a Yamaha não conseguiu escapar às dificuldades causada pela crise econômica global, mas a MotoGP é uma parte importante do plano de recuperação da empresa. O programa de MotoGP é muito importante para a promoção da imagem da marca e as corridas obrigam-nos a mostrar toda a força da empresa em termos de engenharia, organização e paixão se quisermos estar no topo”.
“Temos muita sorte por ter mantido todos os nossos leais patrocinadores e até por ter conseguido trazer mais alguns para a equipe. O nosso patrocinador principal, a Fiat, está conosco pelo quarto ano e a Petronas, Packard Bell e Yamalube vão continuar com importantes patrocinadores da equipe. Temos dois novos patrocinadores, a Yamaha Indonésia, que se junta a nós com o objetivo de promover as suas atividades na Indonésia, o mercado mais importante para a Yamaha neste momento, e a Iveco. Também continuamos com os nossos patrocinadores técnicos e fornecedores”.
Jarvis concluiu: “Por último, queria dar as boas-vindas a todo o pessoal da nossa equipe e também aos dois novos elementos da turma; o Wilco Zeelenberg vem da bem sucedida equipe Yamaha de Supersport para ser o novo chefe de equipe de Jorge, e o Davide Marelli, que vem como novo técnico de telemetria”.
[Por:Moto.com.br]
Confira a performance da motocicleta da Yamaha de 201 cv
A esperada apresentação dinâmica do novo modelo da Yamaha ocorreu em San Diego, nos Estados Unidos. Um grande número de jornalistas dirigiu-se até lá para testar a lendária V-Max. Um colega que estava ao meu lado acelerou ao máximo, em 2ª marcha, deixando no chão uma marca negra de 30 m. O motor é tão poderoso que — até o momento do corte da ignição — dá a sensação de que o pneu incendiará o asfalto. Esse detalhe define a V-Max: é uma moto para se divertir e um passatempo quase ilegal.
Estamos diante de uma máquina de 1679 cm³ com 201 cv declarados. Trata-se de um veículo que é uma combinação de custom, naked e esportiva. Não é fácil explicar em palavras a rapidez com que esta besta acelera. Tranqüilamente chega a 50 km/h, em 2ª marcha, e em um piscar de olhos alcança os 150 km/h.
A YamahaV-Max conseguiu um novo significado para o torque de motor. A aceleração que produz é sentida no corpo, não trata-se de uma motocicleta que tem uma potência sobrenatural, mas logo faz o piloto ficar indefeso. Deixando de lado a sua aparência custom, em seu peito bate um coração de esportiva. Assim, a supermáquina da Yamaha permite ir até os 150 km/h e depois frear com segurança, quando e onde quiser.
Mas é importante deixar claro que a V-Max foi desenvolvida para ser desfrutada principalmente em retas, só que não faz feio em outras ocasiões. É uma grande moto, seu conjunto funciona muito bem e a aceleração é praticamente capaz de arrancar-lhe os braços. Percebemos isso durante a nossa passagem por estradas no norte de San Diego.
Passamos um pouco do limite durante o teste, culpa da V-Max! A motocicleta instiga até o piloto mais equilibrado. Analisando friamente, pode-se achar que a Yamaha exagerou ao fabricar uma moto assim, só que ao acelerar a máquina, surge o desejo de parabenizar os seus criadores.
O projeto nasceu inspirado na antiga V-Max. O novo modelo assemelha-se bastante ao original, no que refere-se ao visual. Mas a Yamaha queria lapidar mais o produto, algo que foi possível graças a todos os avanços tecnológicos obtidos nos últimos 20 anos. A manobrabilidade foi melhorada, aumentaram levemente a potência e asseguraram que a posição de condução fosse mais confortável, mesmo assim, sem perder a lendária capacidade de aceleração do modelo — essência que tornou a primeira V-Max tão famosa.
Os engenheiros da marca dos diapasões partiram de uma folha de papel em branco, tendo como objetivo conseguir uma aceleração capaz de tirar o soluço e também uma posição de condução cômoda. O V4 de 1679 cm³ tem cerca 500 cm³ a mais que o modelo antecessor, mas, ao mesmo tempo, é 7 mm mais curto. Os cabeçotes atuais são menores, o que permitiu mover o motor para colocar mais peso sobre a roda dianteira.
A nova Yamaha V- Max não tende a levantar a roda quando queima-se o pneu traseiro a uma velocidade forte. As tomadas de ar também recordam a motocicleta que deu início à saga, mas agora o “air box”, ou caixa de ar, tem 13 litros de capacidade, sendo assim, o dobro do que possuía anteriormente. Uma centralina controla todo o motor, incluindo os dutos de admissão de comprimento variável. Em baixas rotações, medem cerca de 150 mm e, em altas, ficam por volta de 45 mm.
Essa maleabilidade traduz-se em uma ampla gama de torque, existindo a possibilidade de alcançar altas velocidades em todas as marchas. Uma injeção Mikuni encarrega-se de alimentar a besta, ficando no passado os carburadores de 35 mm.
Outro item que não falta é o acelerador eletrônico, o mesmo empregado em alguns modelos esportivos da marca. O sistema permite que um pouco de combustível alimente os corpos dos injetores reduzindo o freio-motor.
O câmbio de cinco relações é acompanhado de um cardã muito bem resolvido. A embreagem, com sistema antibloqueio, é hidráulica e permite grandes reduções, sem que a roda traseira seja bloqueada e a máquina perca o controle. O acionamento da manopla é um pouco duro, um preço a pagar por um propulsor com tanta força.
No conjunto das suspensões, contamos com um garfo de 52 mm, na frente, acompanhado de um monoamortecedor — na traseira. Uma moto com essa potência necessita de freios poderosos: dois discos Brembo de 320 mm com pinças radiais de 6 pistões. Além disso, estão acompanhados de sistema ABS — algo aconselhável a esta máquina. O freio traseiro mede 299 mm. Os Brembo destacam-se por sua potência e tato, sendo capazes de parar uma motocicleta com tamanho peso e força.
Os pneus são Bridgstone BT28, o traseiro é um enorme 200/50. O normal seria que a V-Max fosse um pouco deficiente na hora de realizar curvas, mas não é o caso. Os comandos de direção lembram mais uma esportiva do que uma custom. O assento do novo modelo é mais largo e cômodo, o que satisfará os pilotos mais altos. Para os mais baixos, existe um problema, neste caso, o jeito é sentar-se um pouco para frente. Desse modo, colocar os pés no chão não será um empecilho, com o assento de aproxidamente 1cm a mais na altura que o da antiga V-Max.
Outra mudança aconteceu em relação às pedaleiras, que estão mais baixas e recuadas, não comprometendo a distância livre do solo. Para tocar com os limitadores no no solo, o piloto tem de ir realmente rápido e não há por que preocupar-se em raspar o escapamento no chão. O painel do tanque tem muita informação: posição do acelerador, consumo, cronômetro… só que é difícil de ler, pois está demasiadamente baixo, junto ao tanque falso.
Se você gostava do visual original, vai se impressionar muito com a nova estética. Ela está bem similar à anterior, só que com uma aparência mais musculosa, algo que parecia impossível de alcançar. Assim, mantém um aspecto único que conquistou o coração de todos os seus fãs. Os novos radiadores modificaram um pouco a imagem da V-Max e é impossível de deixar os escapes passarem despercebidos. Outro detalhe chamativo são as entradas de ar cromadas.
Até aí tudo explicado, mas, com certeza, fica a pergunta: a que velocidade pode chegar esta supermáquina? Podemos dizer que a V-Max ultrapassou os 200 km/h em alguns trechos de estrada em San Diego. A motocicleta vem com um limitador de velocidade que entra em ação quando chega aos 220 km/h. Entretanto, o sistema não funciona quando percebe que o piloto foi ao limite em cada marcha como, por exemplo, em competições de aceleração. Assim, sua diversão não será arruinada.
A V-Max vem com eletrônica e outros componentes mais típicos de uma moto esportiva que em uma custom. Mas o que realmente a afasta das custom é a sua potência. Não é uma MotoGP, mas chega perto. Uma coisa que podemos assegurar é que não se parece com nenhuma moto que já tenha pilotado antes!
Rafael Miotto
Imagens MPIB
[Por:Motociclismo Online]